domingo, 27 de março de 2016
The Cure, rock alternativo de sucesso na década de 80
Quando fui convidado para escrever na categoria “Rebobinando”, logo veio à mente, além de muitas músicas consideradas “das antigas”, a lembrança de infância que tenho das fitas k7. Deve ser um termo estranho para boa parte dos nossos leitores e, por isso, acho melhor, antes de tudo, explicar o ato de rebobinar: rebobinar significa, tecnicamente, retroceder, por a fita magnética em seu estado inicial – para assim – poder escutar novamente a sequência de músicas gravadas. Poeticamente, lembro que a limitação desses equipamentos fazia do rebobinar um ato de amor pela canção. Você voltava a fita por querer ouvir novamente uma música que agradou. É o que me proponho aqui, rebobinar boas músicas.
Claro! Eu não poderia estrear no “Rebobinando” sem falar de algo que ouvi nessa plataforma ultrapassada. Não lembro como essa fita chegou às minhas mãos, talvez fosse da minha mãe, talvez tenha sido produto de alguma das lojinhas de CDs usados que havia em João Pessoa no início dos anos 2000. Sei que entre a primeira faixa, “Open”, e a última, “End”, cada canção foi trilha da minha vida colegial.
A sequência “Friday I’m In Love”, “Trust” e “A Letter to Elise” é, de longe, a seção mais desgastada dessa tape. Sim! A fita desgastava, perdia magnetismo, apagava com o mau uso ou com o uso excessivo. A k7 dos Mamonas Assassinas é uma boa prova disso, mas falarei dela em outro texto.
Particularmente, “Wish”, é um dos melhores álbuns de estúdio do The Cure. As canções, quase todas compostas por Robert Smith, são um mergulho em um universo melancólico e esperançoso. Quase bipolaridade. Muito aguardado pelos fãs da época, perdido na estranheza da década de 1990 é, para muitos, como o último insight do The Cure da década de 1980, começando após ele a nova fase da banda.
Um álbum recheado com dobras de guitarras, bons sintetizadores e o arranjo vocal inconfundível do Robert.
Rebobina aí também:
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
O novo-velho som da Dônica
De cara.
No seco. Sem contextualizar e sem pedir auxílio ao Google, veio ao ouvido algo
que remeteu ao Clube da Esquina, Tropicália com guitarras do pós-punk
brasileiro e um toque de Jorge Ben. Tudo isso em apenas duas faixas.
“Abrir a
porta/ Ver a menina/ De pernas tortas”
Há
tempos não ouvia, nos novos sons brasileiros, guitarras com overdrive e a
instiga juvenil fundamental para seu timbre perfeito.
Ao
acrescentar na audição as imagens do clipe “Casa 180”, tudo fez mais sentido
quando fiquei mais confuso! Psicodelia, imagens com retraço e pigmentos de
câmera Super8, instrumentos vintage e um apelo visual voltado para o analógico.
A cara limpa de jovens que carregam aquela antiga verve de querer mudar o
mundo. Mas enfim, a banda é nova mesmo?
José
Ibarra (vocal e piano), Miguima (baixo), Deco Almeida (bateria), Lucas Nunes
(guitarra) e Tom Veloso (composições). Essa é a Dônica e é nova sim.
Dentre
as influências que a banda apresenta como referência estão nomes como Pink
Floyd, Mutantes, Queen, Clube da Esquina e uma infinidade de coisas de bom
gosto. Caetano Veloso e Milton Nascimento aparecem na lista e não é porque são
respectivamente pai e padrinho, é porque os garotos têm mesmo bom gosto.
Com toda
essa carga artística e genética, a banda apresentou em 2014 seu primeiro álbum,
“Continuidade dos Parques”, fruto das composições do quinteto e do contrato com
uma gravadora multinacional. Esse álbum ganhou versão em vinil, o que reforça a
busca da banda em fortalecer sua imagem retrô.
Talvez
tentando fugir da pecha quase inevitável de “a banda do filho de Caetano”, Tom
assume um posto curioso, apresentando-se como compositor que tem vergonha de
subir nos palcos, pois se sente incapaz de tocar para muitas pessoas.
A Dônica
é a minha aposta para o futuro da música brasileira. Um futuro carregado de
sons do passado e com a inquietude do que é novo. Assim como foi com Gonzaga e
Gonzaguinha.
Texto publicado no portal Segue o Som
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Desta vida
Para mim
- basta
As
brincadeiras de criança
Meu
carrinho de corrida
Todas as
vezes que fui Senna
Figurinha
amassada no refugo
Pipas
que sumiram no ar e no armário
Um
violão velho de nylon
E o
latido de Raph
Para mim
- basta
As
espinhas dos hormônios
A
eternidade que a vida era
O não
saber constante
Clipes
de rock na MTV
Trajetória
parada por um poste
Cadernos
de aulas que não tive
Contos
de Machado de Assis
Para mim - basta
As marcas
no meu rosto
Músicas que
nunca mais ouvi
Saudade
de ser Renato Russo
Filmes
que perderam o sentido
Amigos
desaparecidos
Reflexões
de ônibus noturno
Medo de
ter mais passado
Para mim - basta
As
cargas que ainda junto
Tempo
que vejo e não sinto
Vontade
de me mudar no mundo
Livros
que quero ler
Fotografia
que não fiz
Ser
triste e feliz
Dias que quero ver
quarta-feira, 8 de julho de 2015
A morte do futebol brasileiro
Quando os jogadores do Operário Futebol
Clube se deitaram no campo em protesto, simbolizando a morte do futebol
brasileiro, eu ainda não pensava em escrever esse texto.
A série D do campeonato brasileiro de
futebol é a clara evidência da desigualdade presente no nosso esporte favorito.
O salário do maior craque brasileiro, na atualidade, pagaria os vencimentos de
2 mil atletas da série D. Se isso é por mérito? Não é essa a questão que quero
tratar. Naquela fatídica noite, os atletas do Grêmio Barueri não entraram em
campo. A ‘greve’ foi deflagrada pelo mesmo motivo em que trabalhadores do mundo
inteiro param em protesto: más condições de trabalho e falta de pagamento. A
simbologia gerada pelo apoio dos colegas do Operário ganhou força, foi
noticiada internacionalmente, mas pouca gente parou para entender os reais
motivos daquele velório.
Com nosso orgulho ferido pelos 7 a 1 que
teimamos em explicar com alegações inexplicáveis, demos pouca atenção para os
operários.
Há um ano, recebemos da seleção da
Alemanha um castigo. Como menino que apanha do pai sem saber o motivo, de repente, recebemos
a primeira chinelada. Foram sete açoites e um afago, como um pai que castiga
com pena. De nada adianta discutir se a lei da palmada está correta, mas nesse
caso, falando do futebol brasileiro, apanhamos e até agora, de nada adiantou a
humilhação pública. Ninguém entendeu como ação punitiva por algum erro
cometido. Fazem festa comemorando o aniversário de um ano e até criam teorias
conspiratórias, mas nada de reconhecer que estamos todos errados.
Muito dinheiro, poucas peladas
Um jornalista e escritor uruguaio,
Eduardo Galeano, diagnosticou a mercantilização do futebol como a origem de
todos os males. Um modelo que cumpre um certo 'dever social' e proporciona às
crianças pobres a oportunidade de ascensão econômica, também caracteriza
negativamente o esporte: jogadores sem identificação com o público e com o
clube, que apenas cumprem uma rotina de trabalho. Profissionais do “jogar por
dever”.
Nesse mercado acirrado, cada uma das nossas promessas de craque é vista como um diamante. E não há preocupação em lapidar cada pedrinha, mas sim, assim que extraídas, a tarefa é trazer lucro para os garimpeiros. Vemos nossos potenciais destaques esportivos completando elencos de times de segunda classe da Europa ou em missão milionária em países sem tradição no esporte. Chegam lá e ganham um polimento. Nada de lapidação.
Nesse mercado acirrado, cada uma das nossas promessas de craque é vista como um diamante. E não há preocupação em lapidar cada pedrinha, mas sim, assim que extraídas, a tarefa é trazer lucro para os garimpeiros. Vemos nossos potenciais destaques esportivos completando elencos de times de segunda classe da Europa ou em missão milionária em países sem tradição no esporte. Chegam lá e ganham um polimento. Nada de lapidação.
Em Tambauzinho, bairro tradicional da capital paraibana, onde cresci, tínhamos o nosso campinho. Era um terreno baldio que
limpamos e enfincamos traves. Lá aconteceram alguns dos melhores jogos que vi e
joguei, defendia o orgulho de não perder para os ‘rivais da rua de baixo’, nem
deixávamos os ‘invasores’ jogarem no nosso reduto. Observe a sua cidade: onde
estão os campinhos de pelada? Onde a molecada está jogando, ‘batendo um baba’,
racha ou rachão? Há muito não vejo crianças nas ruas, jogando com traves
improvisadas com chinelos, pés descalços e dividindo os times dos com e sem
camisa.
Quando falo em morte do futebol
brasileiro, não me refiro a derrota humilhante para a seleção da Alemanha, não
estou noticiando o protesto do Operário, não vou listar motivos, escândalos de
corrupção e provas de manipulação de resultados. Falo da morte do futebol real,
aquele que não precisa de dinheiro para ser jogado.
Galeano defende a prática de um futebol
“puro”, onde a magia do esporte ainda está presente. Na pureza do jogo em si
não se joga por motivo, não há relógio nem contagem do tempo e o apito do juiz é
substituído por um grito do jogador: “falta, pô!”. Claro que essa não é a
solução para o futebol profissional, mas é esse futebol que está morrendo. Nossos
campinhos de barro estão sendo substituídos por gramados sintéticos com
patrocínio de multinacional e em nome da paixão pelo futebol. Irônico, não?
Por favor, não matem nossa habilidade
desenvolvida de pés descalços, não tranquem nossas crianças em celas, nem as
prendam aos cabos dos carregadores de smartphones e não deixem o verdadeiro
futebol morrer em nome da salvação do futebol profissional.
terça-feira, 16 de junho de 2015
Paradelle para Adelle
A paradelle é um estilo poético moderno que foi criado nos Estados Unidos pelo poeta Billy Collins, como uma paródia ao villanelle.
Com o perdão da ressonância e sem a intenção de fazer trocadilho, escrevi um paradelle para Adelle.
Todas as flores encontradas no caminho
Todas as flores encontradas no caminho
De longe contando os passos só pra te ver
De longe contando os passos só pra te ver
Os passos no caminho das flores
Só pra de longe te ver cantando
Os dias voaram e ninguém viu
Os dias voaram e ninguém viu
E os pássaros tecendo novas canções
E os pássaros tecendo novas canções
Ninguém viu, os pássaros voaram
Canções tecendo novos dias
A pele que arrepio com um toque
A pele que arrepio com um toque
Suave o cheiro que produz ternura
Suave o cheiro que produz ternura
Um toque suave, o cheiro, a pele
Ternura que produz arrepio
Os pássaros tecendo um toque
No caminho pra te ver suave
O cheiro das flores nas canções
De longe produz na pele o arrepio
Cantando os pássaros que voam
Ternura que produz os dias
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Voltei para a casa abandonada
Comecei a empreitada muito antes de 2007. Foi em 28 de abril de 2007 que mudei a hospedagem do blog e
trouxe para o blospot alguns dos textos que existiam em outro site.
O que virá? O de sempre: crônicas, resenhas,
poemas, músicas, imagens e vídeos. Muita coisa nova também. Espero ser proveitosa essa retomada.
***
"Eu voltei para a casa abandonada
Onde não devemos nada para niguém"
Vamos de música boa para deixar o post mais bonito:
Dessa época até a última postagem em 08 de dezembro de 2012,
muita coisa aconteceu. Muitos textos bons nasceram e muitos ruins também.
Resolvi fechar as portas. O mundo já era outro com a chegada das mídias mobile, do
universo todo pocket. Tudo instantâneo e móvel. Breve e líquido.
Nesse hiato entre 2012 e o dia de hoje, muitas outras coisas
escrevi. Muito mudou na minha forma de escrever. Muitas coisas diferentes eu
li. Sim, meus gostos mudaram com a chegada das marcas no meu rosto.
É tempo de assumir minhas palavras e observar o derramar
delas no tempo.
“Mas eu sei que alguma coisa aconteceu, está tudo assim tão
diferente”. Não, não desgostei da Legião Urbana, nem tão pouco vou parar de
citar canções aqui. As diferenças são outras: “o futuro não é mais como era
antigamente”.
Volto para a casa abandonada. Começo tirando o pó, revendo
postagens, apagando besteiras, deixando o que vale a pena ser lido.
Nos três anos de abandono morei em outras casas, e logo,
acho justo trazer para cá a mobília que adquiri por ai. Resolvi postar com datas
retroativas, referentes a data de criação de cada texto, tudo o que escrevi
durante o silêncio e eles farão parte do marcador 'Mobília', para situar melhor. Meus poemas, que insisto em não publicar aqui, estarão ainda no marcador 'Versos' e serão publicados todo dia 15 de setembro, como sempre foi, sendo apenas uma amostra dos poemas que escrevo.
***
"Eu voltei para a casa abandonada
Onde não devemos nada para niguém"
Vamos de música boa para deixar o post mais bonito:
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Hiperlink-se
Escorra pelas mãos
de quem tentar te segurar.
Há muito tempo
um cara foi ambulante metamorfose
apontando o tempo que chegou.
Somos um e milhares!
Reinvenção do ser.
um cara foi ambulante metamorfose
apontando o tempo que chegou.
Somos um e milhares!
Reinvenção do ser.
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